segunda-feira, 13 de julho de 2009

Drugstore Cowboy

Super entendo a morte do Michael Jackson. Overdose medicamentosa? Total podia ser eu. Aliás, tenho certeza que vou ter uma morte dessas, súbita, qualquer dia desses. Ninguém vai estar esperando... A única diferença é que eu não vou sair na capa do Meia Hora quando isso ocorrer.

O fato é que, como metade dos farmacêuticos do Rio de Janeiro está ciente (sejam os que têm diploma, sejam os que fazem a linha Dilma Roussef), eu tenho um longo histórico de uso de substâncias... Mas pelo menos só coisa aprovada pela ANVISA.

Não que eu seja do tipo de gente que faz amizade com o moço do balcão (sou antipático demais pra isso), mas daquele outro tipo, que entra no recinto meio que perguntando: “e aí, o que que tem de novo?”. E também não é que eu seja hipocondríaco! É que eu realmente estou sempre doente... Ou quase sempre. Por essas e outras, aliás, que eu já aderi a uma coisa meio verbo to be: eu sou doente. Vide esse maldito habitante não identificado que faz usufruto do meu corpo, vulgo virose.

Faz mais ou menos um mês que tive uma – ou ao menos foi esse o caô que os médicos disseram. Sabe quando um animal tá tão fodido, sofrendo, que a nossa piedade pede o sacrifício, o tiro de misericórdia? Pois é. Eu posso dizer que, com certa segurança, eu vivi momentos super divertidos com febre, dores, e vômito que me fizeram esperar logo o tiro. Em decorrência dessa diversão toda, eu resolvi ir de madrugada pro hospital mais próximo, pra ver se assim eu me divertia ainda mais, desta vez ouvindo confissões sexuais de uma enfermeira lésbica. Não que ela estivesse conversando comigo, mas, fazer o que... Eu tava ali, na minha, de castigo, tomando meu soro, esperando resultado de exame sair... Não deu pra deixar de escutar. O que, aliás, fez surgir questionamentos pertinentes como:

1- Os médicos possuem algum tipo de pacto secreto entre eles? Só pode. Ou vai ver que um dos efeitos colaterais do “complexo de Deus” que acometem todos eles é responder sempre que “é uma virose”, quando a resposta certa seria: “nós não temos a menor ideia do que está acontecendo com você”.

2- Quem foi que decretou que interior de hospital tem que ser todo branco? Num dava pra dar uma alegrada no ambiente, jogar um azul, um amarelo, ou quem sabe até um vermelho, não? Não precisa ser nada muito chamativo, mas algo mais vivo, que desse um pouco mais de ânimo pra ficar cheirando éter. Fazia um trompe l’oeil no teto pra ter pra onde olhar... Ia ficar show.

3- Dar plantão em hospital é algo que gera seqüelas no tato social do indivíduo. Confissões lésbicas de uma enfermeira gorda, minha gente?! Sem contar que, a julgar pelo diminuto tamanho do estacionamento do hospital, eu não sei onde ela estaciona o caminhão...

Mas, enfim, o que eu queria mesmo dizer é que, mais uma vez, estou doente. E não, desta vez eu nem vou me dignar a ir ao médico pra ouvir que, adivinha? É uma virose. O bom de ser doente como eu é que, com o tempo, você até já sabe o que tem e quando vai ter. Por exemplo, eu consigo prever com uma margem de no mínimo 24 horas de antecedência quando vou ficar doente pra caralho, o que sempre ajuda nos compromissos do dia a dia. Pena que os amigos nem sempre entendem quando você diz numa segunda-feira que “sabe qual é? Nem vou poder te encontrar na quinta, mas é que eu vou estar doente, saca?”, mas, fazer o que.... Juro que é verdade!

E como eu sei que “virose” é um problema que aflige grande parte da população, vou até prestar um serviço e compartilhar meus saberes com vocês:

- Princípio de febre? Baixa energia? Sentiu que tá chegando a maldita? Nada que o combo Dipirona+ Ibufran não consiga dar conta em alguns dias. Pode ser de 8 em 8 horas, mas, seguindo a posologia Marcelo Sá de Sousa, se você fizer de 6 em 6 o resultado é melhor.

- Garganta ruim? Um bom spray tipo Flogoral ou Hexomedine resolve. Mas, veja bem, nada de usar essas porcarias naturais a base de romã, mel, etc. O que resolve mesmo é uma boa química, todo mundo sabe disso. Se pajelança e soluções naturais resolvessem alguma coisa, os nossos índios não estariam por aí enchendo a cara e freqüentando posto de saúde da FUNAI.

- Coriza e outras coisas desagradáveis? Naldecon ou Descongex ajudam. Se usar o segundo, certifique-se de não dirigir ou operar máquinas pesadas, porque dá um soooonoooo....

Se você usar isso tudo e seguir minhas recomendações direitinho, juro que você fica pronto pra outra. E pode ter certeza que, se você for como eu, outras virão, e nem vai demorar tanto assim....

domingo, 12 de julho de 2009

Márcia tem razão



O assunto pode ser resumido da seguinte forma: Maitê Proença estreiou recentemente uma peça de autoria própria, denominada “As Meninas”. Lygia Fagundes Telles, autora de um importante livro de mesmo nome, ainda nos anos 1970, se mostrou furiosa pelo fato da atriz não ter modificado o nome de sua obra de dramaturgia, mesmo após solicitação. Mesmo Maitê tendo alegado problemas de ordem burocrática com a Lei Rouanet para justificar a permanência do nome, Lygia questionou publicamente a atitude da atriz, a chamando, inclusive, de “ladra”, e anunciando o futuro processo. Maitê Proença se defendeu da acusação de maneira aparentemente contundente, por meio de declarações na imprensa e no programa (atualmente) sofrível do GNT, Saia Justa. A atriz argumentou que “’As Meninas’ é um nome de domínio público. É como a árvore, o coqueiro, os homens. É um nome que o Velázquez usou num quadro de 1700, muito conhecido, que tá lá no Museu do Prado (em Madri, Espanha). Ela vai chamar o Picasso de ladrão, vai chamar o Velázquez de ladrão? Ou foi ela que roubou o nome do Velázquez”

É bom deixar claro que, se eu tivesse que escolher para salvar da morte por afogamento entre Lygia Fagundes Telles e Maitê Proença, certamente ficaria com a primeira opção. É exatamente dessa maneira – de escolha de um e anulação do outro – que a polêmica e recente divergência entre as duas estão sendo recebidas pelos blogs dessa internet de meu deus.

O meu pitaco é que a argumentação decorada de Maitê é apenas “aparentemente” contundente, porque deixa de fora da questão uma série de detalhes, que, como dizem, servem de morada para uma série de demônios. Pra começar, se um nome fica notório como designação de alguma expressão artística, é no mínimo inocência que se tente ignorar tal fato; a referência é incontornável. Todas as (aproximadamente) 3 mil pessoas que gostam de Literatura no Brasil sabem que “As Meninas” é uma obra literária de autoria de Lygia Fagundes Telles, e talvez pensem nela até antes mesmo de Velásquez ou Picasso, como foi justamente o meu caso, que SEQUER li o livro de Lygia. Portanto, de início, é de uma ignorância absoluta que se coloque as coisas nos termos de uma “infeliz coincidência”, como a atriz o faz. Está mais para uma “infeliz ignorância” do que qualquer outra coisa.

É, ainda, bastante equivocada a comparação entre a Pintura e o Teatro, nos termos propostos. Maitê Proença não escreveu um livro chamado “As Meninas”, e sim compôs uma obra teatral, o que, frequentemente, é fruto de adaptação de uma obra literária; isso transmite a ideia para o público em potencial de que o elenco estaria encenando justamente uma adaptação da célebre obra de Lygia, o que só piora o imbróglio, já que a adaptação já está em vias de se concretizar, pelas mãos de Maria Adelaide Amaral, como deixou claro a escritora, publicamente. E isso pra nem falar no “detalhe” de que no mínimo um par de séculos separa as obras de Velásquez e Picasso.












Nunca mexa com uma mulher formada em Direito. No Largo de São Francisco. Na década de 40.

O passado não existe.