<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3256508064829813749</id><updated>2012-01-14T22:06:17.167-08:00</updated><title type='text'>Nota Dissonante</title><subtitle type='html'>Eu, você, nós dois/ Já temos um passado, meu amor/Um violão guardado/
Aquela flor/E outras mumunhas mais/
Eu, você, João/ Girando na vitrola sem parar/E o mundo dissonante que nós dois/Tentamos inventar/ tentamos inventar/Tentamos inventar/ tentamos...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://notadissonante.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3256508064829813749/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notadissonante.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17354637234325718054</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3256508064829813749.post-7513005554658915226</id><published>2011-01-13T13:17:00.001-08:00</published><updated>2011-01-13T13:26:51.458-08:00</updated><title type='text'>A Invenção dos Direitos Humanos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.imil.org.br/wp-content/uploads/2010/01/a-invencao-dos-direitos-humanos1-202x300.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 202px; height: 300px;" src="http://www.imil.org.br/wp-content/uploads/2010/01/a-invencao-dos-direitos-humanos1-202x300.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;u&gt;&lt;br /&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.imil.org.br/wp-content/uploads/2010/01/a-invencao-dos-direitos-humanos1-202x300.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;São célebres as histórias de plateias em pânico, nos primórdios do cinema, assustadas com o que viam a sua frente. Criam que o trem sairia da tela e as atropelaria. Ou, ainda: do encantamento infantil de D. Pedro II com o telégrafo. Hoje só podemos imaginá-las, sempre acompanhados por uma boa dose de escárnio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Ao mesmo tempo em que os costumes e as tecnologias são engendrados em contextos sociais e históricos específicos, eles também propiciam mudanças na nossa experiência com o mundo. Se a Guerra foi responsável pela escassez de têxteis e permitiu o encurtamento das saias femininas, essa pequena inovação não deixou de desencadear, por si, transformações sociais. Foi nisso que me peguei pensando, ao ler o livro em questão. Mas o que mudanças nos costumes tem a ver com a história dos direitos humanos? Alguma coisa. Essa é a tese de Lynn Hunt em seu livro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;A historiadora se mostra, logo na introdução, ciente dos olhares suspeitos que receberia com seu livro: seus colegas de profissão falam frequentemente em reducionismo psicológico, mas nunca em reducionismo histórico ou social, ela adverte. E de reducionismo seu argumento não tem nada mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Como entendermos as primeiras declarações de direitos humanos, senão também como fruto de uma mudança na experiência e no sentimento dos cidadãos? Como é possível que, “subitamente”, sociedades possam ver igual humanidade em negros, em índios, em mulheres, em crianças? Seja na França monarquista, seja nos EUA pós-colonial (Thomas Jefferson falava mesmo em “verdades autoevidentes”): como a existência de uma humanidade em comum pode passar a ser percebida de maneira EVIDENTE, se antes sequer existia? Mais do que percebida: &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;declarada&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Claro que reconhecer a humanidade de todos nem de longe se traduzia (como hoje ainda não se traduz) no reconhecimento dos mesmos direitos políticos a todos os grupos. Mas tal reconhecimento foi um ato revolucionário, que abriu caminho justamente para o reconhecimento dos direitos políticos de grupos marginalizados, como os não-católicos, os judeus, os nativos, os negros, as mulheres... bem, as mulheres não. Essas tiveram que esperar o século XX, mas ao menos conseguiram, na França, o direito do divórcio e da herança. Mas esqueçamos isso por enquanto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Hunt é clara: “para que os direitos humanos se tornassem autoevidentes, as pessoas comuns precisaram ter novas compreensões que nasceram de novos tipos de sentimentos”. O sentimento, no caso é o de empatia. A capacidade de identificação com o outro. Podemos concordar ou discordar sobre o que desempenhou esse papel, quais foram suas causas. Mas me parece claro que os direitos humanos, para surgir, tiveram que beber nessa fonte.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;A autora focaliza o poder avassalador que os romances epistolares tiveram no século XVIII e a paixões despertadas em seus leitores célebres, como as cartas a seus autores indicam. Dentre esses autores, um célebre e pioneiro no uso da expressão “direitos do homem”: Rousseau.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Não se trata, como pode parecer, de achar que a Literatura por si mudou o mundo, mas sim de que elementos “subjetivos” são fundamentais na maneira como interpretamos o mundo. E continuam sendo fundamentais quando desejamos rever essa maneira. O livro, aliás, passa bem longe de uma “história da vida privada” ou algo nesse sentido. É um relato agradável e minucioso da “invenção dos direitos humanos”, apenas numa perspectiva menos aborrecida, e sim cordial.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Foucault, perto da observação de Hunt sobre a autonomia dos corpos, soa mais chato e pessimista que Adorno.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Um processo lento, porém perceptível teve que ocorrer, como que numa longa caminhada em direção a novos rumos. Às vezes nem sequer tão lento: como compreender que um Voltaire que em 1760 não contestava a tortura judicial, o faça menos de 5 anos depois? E não haveria ligação entre o abandono do costume de dividir a cama com a compreensão emergente de inviolabilidade dos corpos? Uma mudança de atmosfera intelectual (e, por que não?) sentimental teve que varrer mentes na segunda metade do século XVIII.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;“Talvez pareça um tanto exagerado estabelecer uma ligação entre assoar o nariz com um lenço, escutar música, ler um romance ou encomendar um retrato e a abolição da tortura e a moderação do castigo cruel. Mas a tortura legalmente sancionada não terminou apenas porque os juízes desistiram desse expediente ou porque os escritores do iluminismo finalmente se opuseram a ela. A tortura terminou porque a estrutura tradicional da dor e da pessoa se desmantelou e foi substituída pouco a pouco por uma nova estrutura, na qual os indivíduos eram donos de seus corpos, tinham direitos relativos à individualidade e à inviolabilidade desses corpos, e reconheciam em outras pessoas as mesmas paixões, sentimentos e simpatias que viam em si mesmos”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;E mesmo com suas limitações seja no século XVIII ou no XXI, o reconhecimento da existência de direitos humanos é uma revolução. E uma revolução contínua, sem fim. Sua compreensão está sujeita às transformações na nossa compreensão do viver (não à toa, fala-se, hoje, em “direito a viver em um ambiente não poluído”). Como salienta Lynn Hunt, a “base emocional continua a deslocar, em parte como reação às declarações de direitos”. É dessa forma, por exemplo, que Toussaint L’Ouverture enquadra o resultado da revolução haitiana nos princípios da declaração dos direitos do homem e do cidadão, que a metrópole francesa ousara supor universais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Os direitos “do homem e do cidadão” foram pouco a pouco, ano após ano, deixando de ser do homem de do cidadão branco, cristão e de posses. Tornou-se judeu, pobre, negro, sodomita e, por fim, até mesmo mulher.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="font-family:Arial"&gt;Trata-se, enfim, de um livro que traz uma visão interessante sobre como os direitos humanos puderam ser formulados e da problemática inerente à sua formulação. Os direitos humanos são um laboratório, não um produto acabado. São reconhecidos em todo o mundo e igualmente transgredidos em todo o mundo, mas foram e são responsáveis por uma sucessão de transformações, que vão de Toussaint L’Ouverture a uma Argentina que, em 2010, aprovou no Congresso o casamento gay na firme crença de que se travava, apenas, do reconhecimento dos direitos humanos.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Como lamentou John Adams, ao ver a sucessão de pedidos de direitos políticos por parte de grupos “excluídos” após a publicação das declarações de direitos: “isso não terminará nunca”. Ainda bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3256508064829813749-7513005554658915226?l=notadissonante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notadissonante.blogspot.com/feeds/7513005554658915226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3256508064829813749&amp;postID=7513005554658915226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3256508064829813749/posts/default/7513005554658915226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3256508064829813749/posts/default/7513005554658915226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notadissonante.blogspot.com/2011/01/invencao-dos-direitos-humanos.html' title='A Invenção dos Direitos Humanos'/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17354637234325718054</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3256508064829813749.post-7525266070072923005</id><published>2009-07-12T12:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-12T12:26:27.997-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-large;"&gt;O passado não existe.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3256508064829813749-7525266070072923005?l=notadissonante.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://notadissonante.blogspot.com/feeds/7525266070072923005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3256508064829813749&amp;postID=7525266070072923005&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3256508064829813749/posts/default/7525266070072923005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3256508064829813749/posts/default/7525266070072923005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://notadissonante.blogspot.com/2009/07/o-passado-nao-existe.html' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17354637234325718054</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>19</thr:total></entry></feed>
